Cadê a Lei Maria da Penha?


A integridade da justiça mais uma vez foi maculada, esta senhora cega, que não aguenta mais os maus tratos pede socorro. O abuso ocorreu, e foram mais de 100 os agressores.

O feminicídio está expresso no artigo 121, inciso VI e seguintes do Código Penal, mas perante o machismo legislativo, a lei é letra morta.

Até quando vamos ficar inertes diante tal agressão, essa senhora poderia ser a nossa mãe, a nossa irmã, a esposa querida, nossa tia, lembrando que - paradoxalmente - omissão é ação, é a escolha de não fazer nada e iguala-se ao ato praticado (exagero da minha parte), mesmo que de forma inconsciente.

Observando bem, somos responsáveis também, pois nós escolhemos os agressores e quando escolhemos não participar, na verdade, participamos (negativamente) sim. Um número não perde a sua essência quando acrescentamos o sinal negativo a ele, ou seja, o número não deixa de ser número. O mesmo ocorre com a participação, esta não desaparece com a omissão, apenas muda de polo, de posição, alocando-se em uma poltrona confortável e "estável", tornando-se expectador da violência.

A posição letárgica da pseudo não participação em detrimento a participação democrática coerente e cosmoética (ortodemocracia) resulta em violência contra a justiça. Citando Platão, "O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior".

Em suma, seremos sempre responsáveis pelo resultado da decisão, seja participando ou participando (já que escolher não participar já é uma participação), por fim, a casa desta senhora foi invadida e ela, violentada!


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